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Chile

Vista em um Atlas, a forma do Chile parece muito estranha, até fantástica: beira o absurdo com os 4.000 km de comprimento e uma largura média de apenas 180 km. No entanto, já em solo chileno, você se impressionará com a realidade geográfica do país.

Ao mesmo tempo que a formidável barreira de rocha e gelo formada pela cordilheira dos Andes separa o país da Argentina e da Bolivia, o deserto do atacama, faixa árida de mil quilometros, o separa do Perú ao norte. A oeste, umas poucas ilhas espalhadas pelo oceano Pacífico mudam o curso das ondas que rolam para a costa do Chile desde a Australia.
Deserto do Atacama - Veja as fotos do lugar

Difícil ver sinal de vida ao redor da paisagem de pedras e areia. O único barulho, além dos próprios passos e até mesmo o toque suave de seu coração, é o do vento que chega frio e com leve gosto de sal. O imenso céu azul está tão próximo que parece ao alcance das mãos. No desolado centro do deserto do Atacama, a sensação é a de que estamos em outro planeta, muito distante do nosso. O solo extremamente ressecado, até mesmo, é o mais parecido com o de Marte. A umidade do ar é tão baixa que, aliada a limpeza da atmosfera e a altitude elevada em relação ao nível do mar, tornou o lugar um dos mais propícios do planeta para observações espaciais, tamanha é a nitidez com que se pode observar o céu. Astrônomos do mundo inteiro deslocam-se para lá e montam seus observatórios. É um dos principais campos de observação para o desenvolvimento de pesquisas da NASA. Mesmo sem luneta alguma, porém, as noites do Atacama tiram o fôlego de quem gosta de uma imensidão pipocada de infinitas estrelas.

Ao todo, essa região árida estende-se por mil quilômetros do norte do Chile até a fronteira com o Peru e cobre uma superfície de 106.513 quilômetros quadrados - grande parte dos quais formados por deserto arenosos e rochosos. A área que engloba o deserto do Atacama, no Chile, a 1300 quilômetros de Santiago, na costa oeste da América do Sul, esconde um dos meios mais rígidos para o surgimento de desenvolvimento da vida na face da terra. Nas regiões centrais dessa estreita faixa espremida entre o oceano pacifico e a cordilheira dos Andes, ao leste, existem lugares nos quais nunca foram registradas chuvas. A precipitação anual tem sido abaixo de 3 milímetros nos últimos 50 anos, as marcas mais baixas do mundo. É sem maior dúvida, o deserto mais seco da terra, um lugar onde espécies estão condicionadas a uma série de surpreendentes adaptações. As temperaturas oscilam bastante: em janeiro, a média fica entre 18 e 25 graus; em julho, entre 12 e 16 graus Celsius.

Os flamingos rosados, habitantes da planície de sal desse deserto, o salar de atacama, são um bom exemplo de espécie adaptada. Nesse local, a água que veio da cordilheira do Andes, formando lagos azuis, evapora mas rapidamente do que é reposta pelas chuvas, e os sais minerais permanecem. O resultado é uma quantidade enorme de imensos lagos de sal que impregnam o organismo do flamingo. A saída que esses animais encontraram foi a eliminar o excesso através de pequenas aberturas ao lado das narinas.

Tal qual o flamingo, algumas plantas também dão um jeito de sobreviver neste local inóspito. A vegetação de loma, mais importante ecossistema da região, por exemplo, vive da umidade da névoa que se condensa na superfície das pedras. Essa neblina, chamada de "camanchacas", é o resultado da ação da corrente de Humboldt, que esfria o ar quente do Pacifico durante o inverno.

Os vulcões, na maioria extintos, fazem parte do visual e alguns propiciam parte o encantador fenômeno dos gêisers. No vulcão EL TATIO, por exemplo, as águas subterrâneas encontram-se com a lava vulcânica e, ao nascer do sol, saem jatos quentes de vapor que chegam a 10 metros de altura.

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